terça-feira, 16 de março de 2010

"A maioria das pessoas admira a história de sucesso de uma instituição religiosa. Mas o sucesso é uma avaliação pública e cultural, ao passo que a fidelidade a Deus permanece oculta e avaliada por critérios divinos... Além do mais, as instituições costumam estar cegas para o pecado, pois são criadas para nunca cometer erros. Quanto maior for a instituição, menos será desafiada. Na realidade, o crescimento numérico é visto como sinal de que tudo vai bem. Instituições não existem para expressar arrependimento, nem para corrigir erros pessoais, nem para incentivar conhecimento profundo entre as pessoas. Pelo contrário, elas existem para crer e confiar em si mesmas e em suas políticas, e não para crer e confiar em Deus. Tornam-se ídolos em vez de instrumentos para adoração do Deus vivo".

James Houston, em MEU LEGADO ESPIRITUAL (Mundo Cristão)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Money

Faltam vinte minutos para a meia-noite. Além de não lembrar se o hífen de "meia-noite" caiu, eu estou com sono e cansado, mas quero escrever.
Ontem preguei na igreja sobre dinheiro. Decididamente é um assunto que tento evitar, apesar de saber que é importante para a igreja. O que me moveu foi uma necessidade de fortalecer a visão correta da nossa comunidade com relação aos seus recursos financeiros. Foi muito bom, eu acho.

Eu precisava também dizer algumas coisas, coisas que são da minha cabeça, opiniões pessoais, esclarecimentos sobre o ministério e sustento pastoral e missionário. Pena que não deu tempo de dizer tudo, mas fica para a próxima oportunidade. Mas, para você que está lendo este post, vou adiantar o que ainda não disse no púlpito.
O que já disse:
  1. Que a igreja pode e precisa usar seus recursos para ajudar as pessoas nas suas necessidades. Significa que a igreja deve ajudar o irmão que está em dificuldades financeiras, precisa comprar comida, remédio, etc. Veja bem, esse irmão faz parte do corpo, como deixá-lo só?

  2. Disse que a igreja precisa sustentar com dignidade seus pastores, e fazer todo o esforço para que ele possa se dedicar integralmente ao ministério pastoral. Pastores precisam de livros, de tempo, de recursos diversos. Pastores que podem se dedicar integralmente podem preparar com mais profundidade seus estudos, mensagens, e sermões. A igreja precisa valorizar isso.

  3. A igreja precisa participar integralmente do sustento de missionários. Missionários tem família, precisam de remédio, de escola para os filhos, de livros, de roupas, de lazer, etc.

O que ainda não disse:

  1. Acho péssimo igrejas que fazem campanhas o tempo todo. A igreja precisa aprender a viver com os seus dízimos assim como eu tenho que viver com o que ganho. As campanhas devem ser esporádicas e muito específicas.

  2. Acho que a igreja não deve juntar e guardar muito dinheiro. Por que guardar dinheiro se existem missionários precisando dele? A igreja deve guardar dinheiro com um fim específico (é para a compra da Kombi? então depois que comprar para de ajuntar). O dinheiro da igreja deve estar sempre "em circulação".

  3. Acho que pastores não deveriam ver os livros de contribuição. Eu não vejo. Quem deve ver são os administradores, e não o pastor. O Dr. James Houston, em seu livro "Meu Legado Espiritual", diz "a primeira coisa que fiz foi decidir que ser mentor espiritual e angariar fundos são duas coisas incompatíveis. Misturar liderança cristã e finanças é problemático". Não quero olhar para a igreja e lembrar de quem é ou não é dizimista. São todos ovelhas.

  4. Acho que ninguém pode ser recusado para a liderança de ministérios da igreja porque não é dizimista. E os que não emitem nota fiscal? e os que se masturbam? e aquelas que batem nos filhos em casa? e os que falam palavrões? os que acessam sites pornográficos? Os que fazem fofocas? Ah... esses não estão no livro da tesouraria, mas são bem piores!

O que ainda não disse e ainda não vou escrever?

Fica para outra madrugada.

Abração.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Os Medos

Não é difícil encontrar alguém com medo de alguma coisa. Também não é difícil relacionar os nossos: Medo de insetos, de avião, de trovoada, de casar, de não casar, de altura, de escuro, de raio, do trânsito, de dirigir, de engordar, de ficar careca(!), de enfermidades, de ser rejeitado, de falar em público, de cachorro, de perder, de sair sozinho, de deixar os filhos saírem, de ladrão, etc..

Uma boa parte dos nossos medos é justificada. Mas há um medo que preciso destacar: O medo da opinião das pessoas. Todo pastor corre o perigo de ter esse medo. Nossa atividade está muito relacionada à exposição. Uma boa parte do nosso tempo estamos à frente, falando em público, fazendo palestras, ministrando sermões, aconselhando, escrevendo, e, portanto, sujeitos às opiniões de pessoas. Elas observam nossas palavras, nossa roupa, nossas atitudes, nossos gestos, nossa paciência, nossas idéias, nossos planos e intenções.

Não sei se vou te ajudar, mas é impossível se livrar da opinião das pessoas, sejam boas ou más (é claro que estou me referindo mais as más opiniões, porque das boas opiniões ninguém tem medo!). Acho que posso te ajudar me unindo a você e assumindo: eu também tenho medo.
Sei que vou te ajudar considerando que, se não podemos controlar a opinião das pessoas, podemos, no entanto, controlar nosso medo. Essa é uma boa notícia. Podemos controlar nosso medo para não deixarmos que ele nos paralise. Se por um lado temos que conviver com essa sensação incômoda de que estamos sendo julgados, podemos cultivar a certeza de que nosso valor não depende desse julgamento.

Se o medo existe, também existe aceitação.
Se o medo existe, também existe perdão.
Se o medo existe, também existe conciliação.
Se o medo existe, também existe oração.

Lancemos sobre Deus toda a nossa ansiedade e medos, porque ele tem cuidado de nós.
Que ele nos abençoe.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O que é um bom pastor? (em minha humilde opinião)

Quando me preparava para responder essa pergunta, recebi um e-mail de um pastor amigo com um texto do Pr. Osmar Ludovico. Surpreso com a coincidência e muito satisfeito com o texto, resolvi postá-lo aqui. Ele expressa melhor do que eu o que é um bom pastor.

OSMAR LUDOVICO: DIFERENÇA ENTRE PASTORES E LOBOS .
Pastores e lobos têm algo em comum: ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas. Assim, muitas vezes, pastores e lobos nos deixam confusos para saber quem é quem. Isso porque lobos desenvolveram uma astuta técnica de se disfarçar em ovelhas interessadas no cuidado de outras ovelhas. Parecem ovelhas, mas são lobos.

No entanto, não é difícil distinguir entre pastores e lobos. Urge a cada um de nós exercitar o discernimento para descobrir quem é quem.

Pastores buscam o bem das ovelhas, lobos buscam os bens das ovelhas.
Pastores gostam de convívio, lobos gostam de reuniões.
Pastores vivem à sombra da cruz, lobos vivem à sombra de holofotes.
Pastores choram pelas suas ovelhas, lobos fazem suas ovelhas chorar.
Pastores têm autoridade espiritual, lobos são autoritários e dominadores.
Pastores têm esposas, lobos têm coadjuvantes.
Pastores têm fraquezas, lobos são poderosos.
Pastores olham nos olhos, lobos contam cabeças.
Pastores apaziguam as ovelhas, lobos intrigam as ovelhas.
Pastores têm senso de humor, lobos se levam a sério.
Pastores são ensináveis, lobos são donos da verdade.
Pastores têm amigos, lobos têm admiradores.
Pastores se extasiam com o mistério, lobos aplicam técnicas religiosas.
Pastores vivem o que pregam, lobos pregam o que não vivem.
Pastores vivem de salários, lobos enriquecem.
Pastores ensinam com a vida, lobos pretendem ensinar com discursos.
Pastores sabem orar no secreto, lobos só oram em público.
Pastores vivem para suas ovelhas, lobos se abastecem das ovelhas.
Pastores são pessoas humanas reais, lobos são personagens religiosos caricatos.
Pastores vão para o púlpito, lobos vão para o palco.
Pastores são apascentadores, lobos são marqueteiros.
Pastores são servos humildes, lobos são chefes orgulhosos.
Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas, lobos se interessam pelo crescimento das ofertas.
Pastores apontam para Cristo, lobos apontam para si mesmos e para a instituição.
Pastores são usados por Deus, lobos usam as ovelhas em nome de Deus.
Pastores falam da vida cotidiana, lobos discutem o sexo dos anjos.
Pastores se deixam conhecer, lobos se distanciam e ninguém chega perto.
Pastores sujam os pés nas estradas, lobos vivem em palácios e templos.
Pastores alimentam as ovelhas, lobos se alimentam das ovelhas.
Pastores buscam a discrição, lobos se autopromovem.
Pastores conhecem, vivem e pregam a graça, lobos vivem sem a lei e pregam a lei.
Pastores usam as Escrituras como texto, lobos usam as Escrituras como pretexto.
Pastores se comprometem com o projeto do Reino, lobos têm projetos pessoais.
Pastores vivem uma fé encarnada, lobos vivem uma fé espiritualizada.
Pastores ajudam as ovelhas a se tornarem adultas, lobos perpetuam a infantilização das ovelhas.
Pastores lidam com a complexidade da vida sem respostas prontas, lobos lidam com técnicas pragmáticas com jargão religioso.
Pastores confessam seus pecados, lobos expõem o pecado dos outros.
Pastores pregam o Evangelho, lobos fazem propaganda do Evangelho.
Pastores são simples e comuns, lobos são vaidosos e especiais.
Pastores tem dons e talentos, lobos tem cargos e títulos.
Pastores são transparentes, lobos têm agendas secretas.
Pastores dirigem igrejas-comunidades, lobos dirigem igrejas-empresas.
Pastores pastoreiam as ovelhas, lobos seduzem as ovelhas.
Pastores trabalham em equipe, lobos são prima-donas.
Pastores ajudam as ovelhas a seguir livremente a Cristo, lobos geram ovelhas dependentes e seguidoras deles.
Pastores constroem vínculos de interdependência, lobos aprisionam em vínculos de co-dependência.
Os lobos estão entre nós e é oportuno lembrar-nos do aviso de Jesus Cristo:

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mateus 7:15)।